O carvão vegetal, cujo nome botânico é “Carbo activatus”, é obtido através da queima ou carbonização da madeira, é uma fonte de energia renovável e ajuda a reduzir as emissões de CO2 na atmosfera. É utilizado como combustível de aquecedores, gera energia, abastece as siderúrgicas, lareiras, churrasqueiras, fogões a lenha, entre outros.

Carvão vegetal no Brasil

Árvore EucaliptoO Brasil é um dos poucos países que utiliza o carvão vegetal como fonte de energia, devido à baixa quantidade de jazidas de carvão mirenal, e à grande riqueza de florestas. Cerca de 12,9% da oferta total de energia no país, vem do carvão vegetal. Mas muitos não utilizam madeiras de reflorestamento ou que são cultivadas para esse fim, causando um enorme prejuízo ambiental. 

O eucalipto é a principal opção para a produção de carvão vegetal, que além de trazer benefícios no âmbito ecológico, evitando o desmatamento, possui uma madeira de grande qualidade, que é plantada de acordo com cada região. Além disso, é uma alternativa que agrada as empresas, que atualmente tem uma grande preocupação em serem ecologicamente corretas.

O interesse pelo carvão vegetal tende a crescer nos próximos anos, devido às grandes cobranças, tanto para a diminuição do aquecimento global, como também pelo marketing das empresas, que ganham muita relevância por passarem uma imagem correta para o público.

A partir da década de 80, a produção de carvão vegetal no Brasil cresceu muito, por conta das políticas de redução da importação de coque (tipo de combustível derivado do carvão betuminoso) e de carvão mineral. Em 2000, de todo o carvão vegetal prodruzido, 9% foi destinado à residências, e 86% à indústrias, principalmente na produção de ferro gusa (matéria-prima do aço).

Em 2009, o governo declarou o incentivo às siderúrgicas, para que produzam o "aço verde", aço produzido somente pelo uso do carvão vegetal de reflorestamento. A idéia era de ajudar também com incentivos financeiros, e levar para fora do país a percepção de que o aço verde é um produto bom e competitivo.

Amazônia: desmatamento e trabalho escravo

Mesmo com todos os pontos positivos, pesquisas mostram que esse aumento da produção de carvão vegetal, favorece a retirada de madeira da Amazônia, de forma não-autorizada, quase 57% da matéria-prima utilizada nas siderúrgicas, é vinda de forma ilegal dessa região. Além disso, há também uma grande exploração do trabalho escravo, principalmente no Pará e maranhão, onde há uma grande demanda pelo ferro-gusa, e junto, muita disputa entre os fornecedores, que na maior parte das vezes, são clandestinos.

Em 2004 foi criado o Instituto Carvão Cidadão (ICC), uma instituição não-governamental, que tem o objetivo de orientar, auxiliar e fiscalizar tudo que está relacionado à produção de carvão vegetal. O ICC é o responsável pelo cumprimento da legislação trabalhista, mas por todas as denúncias e investigações sobre o trabalho escravo, e sobre as péssimas condições de trabalho, há muitas falhas na fiscalização.

Biomas mais afetados pelo desmatamento

Veja abaixo quais os biomas do Brasil tem sido mais afetados com o desmatamento:   

BiomaDesmatamento (milha)Regeneração (milha)
Amazônia 1320 1180
Cerrado 1270 250
Mata Atlântica 80 30
Caatinga 340 0
Pantanal 140 50
 Total 3150 1510